quarta-feira, 9 de junho de 2021

 



               Frequentemente tenho conversado com amigos que reclamam que os fabricantes brasileiros de carros (nem isto são, são multinacionais. Os fabricantes brasileiros, o próprio governo deu um jeito de destruí-los) super faturam seus preços, que é o carro mais caro do mundo, que tem uma qualidade comparativamente pífia, que....  
               Isto me fez pensar  e pesquisar sobre o assunto e formei uma idéia PESSOAL. 
               Idéia esta que pode ser extrapolada para além da área automotiva. 
               Não quero entrar em polêmicas com ninguém, aceito que pensem diferente, e nem estou aí para isto.
               Mas, já que o título do blog está aí, resolvi escrever. 
               Vamos lá ...
               Acho que temos que levar em consideração alguns pontos para entendermos o que levou a situação a ficar neste estado. A partir de 1964 até os anos 80, 90 (não me é bem claro quando terminou), tivemos um regime militar ditatorial que destruiu a independência do povo brasileiro, desensinando-o a pensar, a ser independente e a argumentar. Quem ousasse discordar de um bando de milicos da cúpula dirigente do país, se fosse conhecido (Caetano Veloso, Gilberto Gil, Leonel Brizola), ou era defenestrado do país ou “se suicidava” nos porões do DOI-CODI (Verner Herzog -http://pt.wikipedia.org/wiki/Vladimir_Herzog) ou do DOPS. Se fosse desconhecido, simplesmente desaparecia.
               Então, quem definia o que o “mercado queria” eram os “Amigos do Rei”, aquele grupo de grandes empresários que vassalavam a milicada dominante ou os súditos por ela indicados. Exemplo? Rede Globo. Assistam “Além do Cidadão Kane” (http://video.google.com/videoplay?docid=-570340003958234038)
               Com a indústria automotiva, não foi diferente. Os “Três Grandes” da época (Ford, GM e VW) e depois, em 1977, a FIAT, trilhavam o caminho à Brasília, oferecendo à Cúpula Dirigente, “brindezitos” em troca de benesses tais como mercado fechado, exclusividade em “licitações abertas” e por aí a fora. 
A coisa era tão feia que, quando surgiu um cara (cujo maior defeito EFETIVAMENTE  provado foi o de ser um playboyzinho cheirador criado pela própria Globo mas que ousou contrariá-la (Fernando Affonso Collor de Mello - http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Collor_de_Mello) ) suficientemente ousado para dizer que “os carros brasileiros são umas carroças” – sabemos hoje que era verdade – e abriu o mercado, foi apedrejado até a sua “quase morte” política. 
               Quem se interessar no assunto, www.google.com – divirta-se.

               Bueno, o que estabeleceu-se então? 
               Um mercado praticamente sem concorrência. Trabalhávamos com uma economia dita capitalista mas agíamos contraproducentemente ao “modus operandi” da economia capitalista (em algumas áreas, hoje ainda continua assim - mas isto é assunto para outro post). Um dos pilares do capitalismo é o mercado livre, onde a lei da oferta e da procura é quem determina o preço de um produto. A demanda de algo que está no mercado é determinada, além do preço, pela qualidade do produto. Não é isto que você faz quando vai às compras? Tenta adquirir o melhor produto pelo menor preço.  Isto foi formalizado há tempo por Adam Smith em “A Riqueza das Nações”, ao que ele deu o nome de “A mão Invisível - http://pt.wikipedia.org/wiki/Mão_invisível” e é estudado em qualquer cadeira de introdução à economia. 
               Então, vivíamos num país onde o preço era definido ao bel prazer de quem fabricava o produto. Não comprávamos (será que, às vezes, ainda é assim hoje?) o melhor ou o de melhor preço e sim o que “estava lá”. 
              Comprávamos o que tinha - _ “É o que tem!! Não quer, vai embora que outro compra”. 
               Lei de defesa do consumidor? O que é isto? Não está como anunciado ou como tu esperavas, “TE FODE”. Vai reclamar para quem quiseres. ERA ASSIM!!

               E quem ousasse trazer produtos de fora, mesmo para uso próprio, era taxado de contrabandista e não patriota. Plantamos um país onde entramos numa espiral de qualidade que diminuía mas mantendo ou aumentando o preço do produto. 
               Não há mágica. 
               Se não há concorrência, a qualidade cai.

               Se não há vários fabricantes disputando o mercado, não há condições de se produzir um produto com qualidade a um preço justo! 
               A médio prazo qual foi o resultado disto? 
               Se o produto é ruim, o consumidor não compra. Se não compra, a indústria não produz.

Resultado? Menos empregos, menos consumidores, menos emprego, menos .......
               Mas atualmente estamos entrando num mercado onde a competição com produtos estrangeiros está começando a forçar que os fabricantes de produtos dentro do Brasil esforcem-se para acompanhar os preços oferecidos por produtores de fora. 
               É claro que as portas do país não podem ser simplesmente escancaradas para os fabricantes do exterior. Nossa indústria ficou muito tempo caminhando protegida por um mercado fechado e abri-lo repentinamente simplesmente destruirá a indústria nacional. Por isto (entre outros motivos menos claros) as medidas protecionistas impostas pelo governo, taxando importadores que ofereçam produtos que o mercado interno produz, na tentativa de equiparar seus preços aos nacionais.

               Certamente é uma tarefa difícil a de equalizar qual a sobre taxação a ser aplicada de modo a não matar a competitividade mas também não matar a indústria nacional.
               Certamente haverá muitos mortos e feridos pelo caminho. 
               Claro que é uma pena que isto aconteça mas é o único modo de aumentar a qualidade diminuindo preços.

               Só espero que, num futuro não muito distante, isto acabe resultando em benefício para a maioria de nossa população.
               Quem sobreviver, descobrirá. Ou não.

My two cents


Fernando Noronha 
Tio Nonô RC


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